julho 03, 2004

Nada que não me tivesse passado pela cabeça

Já me tinha questionado, há uns tempos, se o Zé Manel não nos andaria a enganar completamente nesta questão da Comissão Europeia. Sim, porque noutras questões nunca tive grandes dúvidas que ele mente com quantos dentes tem na boca.
Enquanto o Zé Manel apregoava aos sete ventos o seu apoio à eleição do António Vitorino para a Comissão Europeia - após uma profunda reflexão, dizia ele, com aquele ar entre o compungido e o angélico que costuma pôr -, não andaria a manobrar, em aguas turvas, o seu próprio destino político e pessoal?
O pretenso apoio a António Vitorino soava demasiado a falso. Na verdade, aquele sorriso do Zé Manel, muito cínico na minha opinião, não me convence, nem a mim nem a muitos portugueses. Menos ainda me convence nas coisas que diz. E se dúvidas alguma vez tive, estes dois anos de governação provaram-no à saciedade.
O Zé Manel é um ambicioso político e um dos maiores demagogos que conheço. Para ele, afirmar uma coisa quando tem em mente outra, dizer o que convém no momento, o que melhor vá soar a quem ouve, o que lhe permita sair mais airosamente de qualquer situação – ainda que longe da verdade e dos factos – está-lhe no sangue. Ou, vá lá, talvez seja uma aprendizagem da juventude, dos tempos de dirigente estudantil maoista, que lhe tem rendido bons frutos e o ajudou a singrar na política.

Mas, voltando à vaca fria, hoje ao ler o Expresso deparo-me com esta análise:

Uma história fantástica

«E se Durão planeou tudo há três meses?»
QUANDO, há pouco mais de um mês, Durão Barroso decidiu remodelar o Governo, convidando Arlindo Cunha para a pasta do Ambiente, ninguém estranhou. Amílcar Theias mostrou sempre uma inaceitável adaptação ao cargo e há muito que a sua saída do Governo estava anunciada.
Mas olhando agora para esses factos - e conhecendo outros - pode contar-se outra história. Arlindo Cunha é reconhecido entre os seus pares europeus como um bom técnico e político na área agrícola. E o seu nome vinha sendo falado em Bruxelas como um provável candidato ao cargo de comissário europeu com a pasta da agricultura na futura Comissão Europeia. Mas sendo esta uma pasta de enorme peso no executivo europeu, não fazia qualquer sentido que fosse ocupada por um português - e que a presidência da CE também.
Se esta história batesse certa, então o que se concluiria é que Durão Barroso começou a planear a sua saída para Bruxelas há dois ou três meses. E enquanto defendia publicamente a candidatura de António Vitorino ao cargo, ia recebendo os discretos incentivos dos seus pares do PPE para ocupar a função. Terá sido por perceber isso que Manuela Ferreira Leite lhe apresentou a demissão quinta-feira da semana passada - sem que, mesmo nessa altura, Durão a tivesse informado da ida para Bruxelas.
Mas esta história é tão fantástica que não dá para acreditar, não é? Nem em política...

Nicolau Santos

Tudo leva a acreditar que a “história fantástica” se tornou realidade.
Eu acredito que sim.....

Publicado por vmar em julho 3, 2004 08:44 PM
Comentários

E o António Vitorino devia saber de tudo só que com o é um dos poucos políticos com dignidade, escusa-se a falar desta trapaça que foi urdida durante esses três meses. Lamentável esta manifesta falta de seriedade e depois disto tudo ainda há quem tenha a distinta lata de querer que o PR tenha contemplações na resolução do problema, quando só pode haver uma atitude a tomar a convocação de eleições antecipadas de forma a que possamos libertar-nos deste lixo.

Afixado por: congeminações em julho 3, 2004 09:55 PM

Um conto de fadas, ou de bruxos!?

Afixado por: jgonçalves em julho 3, 2004 11:24 PM